Dequada Voltar

Fenômeno pesquisado pela Embrapa Pantanal



“Dequada” é um fenômeno natural de deterioração da qualidade da água, que ocorre no Pantanal no período de enchente, entre os meses de janeiro a junho, principalmente na porção situada no Estado do Mato Grosso do Sul. Este fenômeno se repete todos os anos, em maior ou menor intensidade. As variações anuais do nível de água (ciclos de cheia e seca) provocam uma série de transformações nas suas características físicas e químicas, causadas pela interação terra-água. Suas principais características são o aumento da condutividade elétrica, da concentração de nutrientes e a mudança das concentrações de gases que diminui o oxigênio dissolvido e aumenta o gás carbônico livre. Nessa interação, ocorre a decomposição das plantas terrestres submersas nas grandes extensões da planície pantaneira.
A conseqüência mais evidente desse fenômeno é a mortandade de peixes, principalmente adultos de várias espécies, provocada pelo estresse respiratório. Em fenômenos de grande magnitude pode alcançar a ordem de milhares de toneladas. Deve-se salientar que esse fenômeno pode coincidir com a época da piracema, ou seja, da desova dos peixes, afetando a sobrevivência tanto dos pais quanto da prole. Esse processo ocorre em toda a área de inundação e nos principais rios da região, entre eles, o Paraguai, Paraguai Mirim, Taquari e Miranda.
Numa definição mais ampla, “dequada” é um fenômeno síntese de todos os processos metabólicos do sistema, sendo um dos fatores, junto com a seca, que controla as densidades das populações de animais aquáticos. O nome popular “dequada” vem, provavelmente, da denominação de água de “diquada”, que é a água usada para fazer o sabão caseiro, sendo fruto da queima de madeira e que tem a cor vermelha escura, como a do chá preto, semelhante à coloração da água dos rios durante o fenômeno. No entanto, estudos da Embrapa Pantanal mostram que as queimadas não estão entre os fatores causadores do fenômeno de dequada no Pantanal.
Os estudos limnológicos realizados desde 1988 têm por objetivo acompanhar as variações nas características físicas, químicas e biológicas das águas do Pantanal, relacionadas às variações dos ciclos hidrológicos anuais e plurianuais, visando obter uma melhor compreensão do funcionamento e da forma de organização de cada ambiente aquático, quanto à sua dinâmica e às inter-relações com os animais e os vegetais. Partindo destas análises são indicadas ações de manejo, tanto dos recursos hídricos, quanto dos pesqueiros. Atualmente, os pesquisadores estudam o comportamento de populações fito e zooplanctônicas, que fazem parte da dieta alimentar de muitos peixes, frente ao fenômeno da “dequada”, além de monitorar o rio Paraguai e seus tributários da bacia do Alto Paraguai, para a obtenção de uma série temporal de dados significativos no futuro. Além dos peixes e zooplâncton, as demais comunidades aquáticas também sofrem com o fenômeno, como os moluscos, os insetos aquáticos, as fases larvais/jovens de peixes e os organismos que vivem no fundo do rio (bentônicos), afetando toda a cadeia alimentar e a biomassa desses organismos no sistema.

10.03.2013

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