Projeto Criança mais Esperta (jan/2004) Voltar

De combate à evasão escolar através da implantação do Curso de Iniciação em Informática para jovens e crianças da Colônia Cachoeira, a partir de Fevereiro de 2004

ÍNDICE:
Introdução
A Colônia Cachoeira
A APPATur
A proposta do projeto Criança Mais Esperta
Referência legal
Providências já tomadas por iniciativa da APPATur
Materiais Necessários
A parceria proposta ao Poder Público Municipal
Contrapartida da APPATur
Sugestões e possibilidades
Outras informações
Considerações Finais
Bibliografia

1. Introdução
O desenvolvimento das pessoas, mencionando-o como sendo o aprendizado de um modo geral, já fora comparado a uma escada com muitos degraus, ao que, em se parando para algum descanso, não se perdia todo o avanço realizado. Nas últimas décadas, porém, cada vez mais se adapta a escada rolante ao dito, porém para ser vencida em sentido contrário: “não se pode parar, pois em se parando, não pára, volta-se para trás”.
Para cada um de nós poder vencer a contrária escada rolante da vida precisamos nos atualizar sempre.
A informática é um caminho prático. Aprender a usa-la não se trata de hobby ou luxo. É uma necessidade e uma prioridade. O próprio Ministério da Educação trabalha neste sentido num processo importante de “Inclusão Digital”. E, na prática, a informática também tem sido um grande instrumento de combate à evasão escolar pelo interesse e fascínio que desperta nas crianças e jovens.
Quanto mais cedo as crianças forem iniciadas, mais ágeis e interessadas em aprender elas ficam – é um fato. Aprendendo melhor, mais qualificadas estarão num futuro próximo para melhor ainda contribuir com o desenvolvimento de suas comunidades.
Portanto, mais que uma simples disciplina escolar, a informática é um instrumento que favorece o aprendizado. E melhor com o advento da internet, nada mais poderá escapar aos olhos do interesse em aprender e de freqüentar a escola.

2. A Colônia Cachoeira
Atualmente com quarenta e nove famílias e um número superior a duzentas e cinqüenta pessoas, dentre elas mais de cem crianças e jovens entre zero e dezoito anos, a Colônia Cachoeira vive uma fase de grande transformação nos últimos anos. Mudanças que trouxeram prosperidade para aqueles que conseguiram se adaptar a novas atividades, a exemplo do turismo de pesca amadora, mas também muitas incertezas e grandes dificuldades para aqueles acostumados à lida do campo, eis que não passa despercebida uma grande diminuição na oferta de emprego. Fato este que, inclusive, vem favorecendo a migração daquela gente para outros rincões e/ou aumentando a fila do assistencialismo.
O movimento latifundiário da pecuária extensiva dos últimos trinta anos reduziu a Colônia a um pequeno povoado encantoado pelos rios Apa e Perdido, e que praticamente perdeu sua característica de Colônia Agrícola. As pessoas passaram um bom tempo dependendo da oferta de emprego das fazendas vizinhas, fazendo roçadas, construção e limpezas de açudes, etc, e alguns ainda assim vivem.
Mais recentemente, aqueles que vem trabalhando no setor turístico da pesca amadora, em fase de implementação desde 1996, é que tem apresentado um razoável desenvolvimento sócio-financeiro, destacando-se os anos de 1999, 2000 e 2001. É facilmente perceptível a qualquer pessoa que por lá passar, bastando observar o padrão das moradias destes em relação àqueles que não se inseriram diretamente na nova atividade.
Apesar de incentivos do poder público, nem a agricultura familiar tem se mantido como deveria ou poderia.
Porém, como em qualquer região do planeta, a cada dia o mercado de trabalho se torna mais exigente. Não basta apenas ter disponível o recurso humano para o preenchimento dos postos de trabalho. Sente-se muito a falta de qualificação profissional.
Eis que é aí que reforçamos a necessidade de melhorar as condições de ensino para os nossos jovens, que compõem metade da população local, assim como que para alicerçar a futura preparação de bons profissionais.

3. A APPATur
Criada em 31 de janeiro de 2003, a Associação dos Profissionais da Pesca Amadora da Colônia Cachoeira surgiu com o principal propósito de se fazer presente como Sociedade Civil Organizada no campo das ações, decisões e políticas para a preservação do meio ambiente, daquele fascinante ecossistema Apa-Perdido.
Para melhor atender seus membros na esfera social, a APPATur se impôs a tarefa de ajudar na prioridade expressa por Lula de combate à pobreza, que nos está profundamente colocada, pois, como sabemos a tragédia ambiental é, muitas vezes, também a tragédia humana e social ou vice-versa.
Para encararmos de maneira enfática, forte e decidida, o papel da APPATur no combate à pobreza, vislumbramos na educação o ponto de partida.
Só para exemplificar, a Diretoria da APPATur tudo fez para que alguns jovens que já trabalham como guias freqüentassem um curso de aprimoramento para Monitores Ambientais em novembro de 2003, curso este que lhes renderão muito mais divisas no trabalho pertinente. Dos vinte nomes relacionados, apenas oito puderam comparecer. Uns não tinham condição de deixar a família por risco de passarem fome, portanto para trabalharem no que fosse possível. Outros por medo ou insegurança num claro sentimento de conformismo. Um dos jovens solteiros, já no primeiro dia do curso, se sentindo envergonhado por não saber escrever bem e por não ler o suficiente para interpretar uma simples frase, desistiu do mesmo sem qualquer outra razão, senão a vergonha. Isto é exclusão. Pobreza gerando pobreza. Queremos acabar com isso.
Temos muito por dizer e a fazer sobre esse assunto. E vamos fazê-lo. Para tanto já temos um excelente ponto de partida. Uma vontade de mudar exteriorizada pela maioria de nossos jovens e cobrada pelos pais que não desejam ver seus filhos nas mesmas dificuldades, conseqüentes da exclusão. Isso, por si só, também já é um grande começo – o desejo.
Queremos mostrar, enfim, a viabilidade de se chegar a uma realidade na qual, ao se falar em educação para nossos jovens e crianças, estaremos de fato falando em um projeto de desenvolvimento integrado para a Colônia Cachoeira e com a participação efetiva dela mesma, através da APPATur. E para um futuro melhor. E elas são nosso futuro. Investir nesse futuro é o que queremos com um “simples” curso de iniciação em informática, mas que abrirá infinitas janelas para uma “educação de muito melhor qualidade e de infinitas possibilidades”, pensando também em buscar o acesso à internet num futuro próximo.
E sem sombra de dúvidas, o faremos consistentemente começando com este pouco, como sendo os primeiros tijolos de um alicerce que precisa ser edificado para depois serem erguidas as pilastras de uma comunidade desenvolvida, “consciente” e segura de si.

4. Proposta do Projeto Criança Mais Esperta
4.1 - Firmar convênio e parceria com o Poder Público Municipal para o desenvolvimento da atividade proposta neste projeto;
4.2 – Obter os materiais que faltam para início das atividades;
4.3 – Criar, com o curso de iniciação em informática, um atrativo a mais para combater a evasão escolar;
4.4 – Manter uma biblioteca virtual para consulta e pesquisas em trabalhos escolares;
4.5 – Apoiar e facilitar os trabalhos do corpo docente na aplicação do ensino público;
4.6 – Estruturar a Escola da Colônia Cachoeira para receber o acesso à internet tão logo seja possível;

5. Referência legal
Lei Municipal nº 1261/03 de 12 de maio de 2003
“Declara de utilidade pública a Associação dos Profissionais da Pesca Amadora e Turismo da Colônia Cachoeira Grande no Município de Porto Murtinho-MS, e dá outras providências”.

6. Providências já tomadas pela APPATur por iniciativa própria:
A – Foi edificada, a 30 metros da escola local, uma sala arejada e com espaço para a instalação de até cinco computadores;
B - Uma jovem moradora da Colônia já foi treinada e está preparada para ministrar as aulas de iniciação em informática, a saber, Senhorita Luciane do Nascimento;
C – Existe um computador instalado no local;

7. Materiais necessários para o início das atividades propostas neste Projeto:
· 2 computadores com monitor colorido;
· 2 ventiladores giratórios;
· 1 impressora;
· 1 monitor colorido extra para substituir o existente no local que é preto e branco (não serve para trabalhos escolares);

8. A parceria proposta ao Poder Público Municipal
· Viabilizar a aquisição dos materiais relacionados no item “7” retro;
· Viabilizar a contratação da jovem Luciane do Nascimento como instrutora de informática para a Colônia Cachoeira, valorizando o recurso humano local;
· Prover os suprimentos necessários ao aprendizado dos alunos (cartuchos de impressora, papéis para impressão, apostilas, CD-Room de enciclopédias, Atlas, material didático em geral, etc);
· Coordenar os trabalhos pedagógicos segundo os critérios da Secretaria Municipal de Educação;

9. Contrapartida da APPATur
· Manter a jovem instrutora cursando extensões e aperfeiçoamento na área de informática para dar prosseguimento a todas as fases possíveis do ensino da área de informática na Colônia Cachoeira;
· Prover o transporte da Instrutora até a cidade para os cursos de extensão e aperfeiçoamento que já vem freqüentando e o retorno até a Colônia Cachoeira;
· Zelar pela guarda e manutenção dos equipamentos alocados na sala de informática da Colônia Cachoeira, pois dispõe de pessoal contratado para serviços de secretaria;
· Fiscalizar e monitorar todo o trabalho juntamente com a Secretaria Municipal de Educação;

10. Sugestões e Possibilidades
A exemplo de outras escolas, as aulas de informática poderão ser ministradas para pequenos grupos de alunos em cada turno, subdividindo-os em duplas na razão de uma dupla para cada aparelho, em horários ou períodos diferenciados das demais matérias. O mínimo necessário para o ideal será ter em mãos três aparelhos, atendendo seis jovens de cada vez, em quatro, cinco ou até seis turnos diários, num mínimo de três dias por semana de instrução para cada aluno. O tempo de instrução poderá ser de, no mínimo, cinqüenta minutos cada, destinando ainda períodos específicos para pesquisas escolares aos alunos, diferentemente dos horários que possam ser destinados aos demais professores.
Outra coisa muito importante: existem vários jovens que insistem em não freqüentar a escola, preferindo continuar trabalhando em roçadas e no campo apenas. E baseado em conversas realizadas em rodas de amigos, cremos que, em se abrindo oportunidade de aprenderem informática, sentirão a necessidade de voltar às salas de aula.

11. Outras informações
A. Recentemente a Sra Fátima Vidotte levantou a possibilidade de se conseguir os dois computadores para atender a demanda apresentada neste projeto;
B. Já foram previamente discutidos com a Secretária Municipal de Educação os assuntos contidos neste projeto;
C. Este projeto é de responsabilidade da Diretoria Executiva da APPATur;

12. Considerações finais
Há muito se diz que a matriz de todas as soluções provém do conhecimento. E na sociedade moderna institucionalizou-se a escola como um grande e importante estágio para a vida dos seres humanos.
Desde que inventaram as várias formas de escrita, aprender a ler e a escrever continua no patamar da mesma importância de sempre. Porém, nos dias de hoje, acompanhar a evolução e se manter atualizado é que denota a grande diferença entre o sucesso e o fracasso.
Do simples fato de se ensinar uma criança a lavar suas mãos, resulta em mais saúde ou em menos doenças. E prevenir sempre será melhor que remediar. Governos economizam fortunas quando investem em educação, em todas as instâncias, com suas campanhas maciças, de esclarecimento que seja, em relação ao que gastam tratando doenças, aumentando leitos em hospitais, construindo mais presídios, etc.
A educação amplia os horizontes e permite aos humanos usarem o seu livre arbítrio para escolherem entre o certo e o errado, desde que conheçam, desde que tenham aprendido. Se aprenderem o certo e fizerem o errado, eis que aí existe o crime, a contravenção, a negligência.
Jamais se poderá cobrar de alguém aquilo que não conhece. E nossa filosofia está focada neste ponto. A APPATur trabalha para a preservação do meio ambiente, dos rios Apa e Perdido, dos quais, sem sombra de dúvidas, depende o homem simples da nossa colônia.
A APPATur quer ver sua gente melhorar de vida, se desenvolver. E no processo de mudança de consciência para atingir o objetivo maior, abrir portas é um desafio grande, porém mais fácil se as chances para a educação forem melhoradas.
Um simples curso de iniciação em informática não seria um tijolo importante para a edificação do alicerce seguro que desejamos para nossa empreitada? E o alicerce não se compõe de tijolo em tijolo?
Aqui então, neste simples projeto da iniciativa de uma jovem liderança numa antiga comunidade, estamos oferecendo um desses tijolos que deverão ser untados com a massa da parceria sadia e recomendada entre o Poder Público e a Sociedades Civil Organizada, nos dias atuais de um Brasil da era LULA, do impossível se transformando em realidade.
Porto Murtinho, 07 de janeiro de 2004.
João Carlos Pinto da Silva – Presidente da APPATur

Bibliografia:
· Constituição Federal
· Relatório de Situação da Colônia Cachoeira 2003 (APPATur)
· Discurso Público de posse da Ministra de Meio Ambiente Sra Marina Silva
E-mail: pescadordejau@hotmail.com

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